Comemoramos amanhã o
trigésimo oitavo aniversário da Revolução dos Cravos. Um movimento singular,
produto de uma ação planeada e executada exclusivamente por militares, sem
grande comprometimento ou articulações com forças partidárias civis.
Pelas 22 horas e 55
minutos do dia 23 de Abril, é feita a transmissão da canção ”E depois do Adeus”, interpretada
por Paulo de Carvalho, aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa, que marca
o início das operações militares
contra o regime. À meia-noite e vinte do dia 25 de Abril, é confirmado que as operações militares estão em marcha e são irreversíveis.
A transmissão da canção ”Grândola Vila
Morena“ de José Afonso, no programa Limite da Rádio Renascença,
foi a senha escolhida pelo Movimento das Forças Armadas [MFA] como sinal. Ao
longo do dia foram sendo ocupados pontos estratégicos considerados fundamentais
(RTP, Emissora Nacional, Rádio Clube Português, Aeroporto de Lisboa, Quartel
General, Estado Maior do Exército, Ministério do Exército, Legião Portuguesa,
Banco de Portugal).
Um dos acontecimentos
que marcará o dia é do cerco ao Quartel do Carmo, chefiado por Salgueiro
Maia, entre milhares de pessoas que apoiavam os militares revoltosos. Entre as 15 horas e as 17 horas e 30 minutos,
têm lugar as negociações entre o posto de comando do MFA e Salgueiro Maia, por
um lado e Marcello Caetano por outro. O ainda Presidente do Conselho contacta o
general António Spínola para lhe entregar o Poder, no Quartel do Carmo, depois
do aval do MFA. A bandeira branca é hasteada às 17 horas e 45 minutos,
aproximadamente.
Restava neutralizar o último reduto de resistência fascista: a polícia
política, PIDE/DGS, que provocaria as únicas vítimas da Revolução ao
disparar sobre a multidão aglomerada ao redor da sua sede: quatro mortos e
dezenas de feridos foi o balanço. A rendição só foi obtida no dia seguinte.
Este dia que durou mais de 24 horas, teve a dimensão de uma nova vida de
todo um povo que desperta de uma sonolência imposta ao longo de meio século.

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